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“Hibisco Roxo” – Chimamanda Ngozi Adichie

“Prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter áquela velha opinião formada sobre tudo”. Essa passagem da música de Raul Seixas se entrelaça com as ideias da escritora Chimamanda Ngozi Adichie.

Em 2009 ela proferiu uma palestra no TED Global, em Oxford, na Inglaterra (disponível no YouTube) Chimamanda de forma carismática e sincera ressaltou o quão “somos impressionáveis e vulneráveis a face de uma história, principalmente quando somos crianças”. Por meio de relatos autobiográficos ela explica o perigo de conhecer apenas uma história sobre uma nação, população, literatura, enfim sobre um povo, tudo isso enraíza ainda mais os esteriótipos, além de nos tornar oblíquos perante a imensidão de conhecimento que poderíamos adquirir.

No final de sua palestra declarou: – “Quando nós rejeitamos uma única história, quando percebemos que nunca há apenas uma história sobre nenhum lugar, nós reconquistamos um tipo de paraíso”.

 

Bom, agora depois de tanta delonga, vamos ao livro. Não costumo falar muito de autor/autora, mas essa mereceu, assim que tiver um tempinho, assista a palestra!

O que falar desta obra excelente, de extrema qualidade narrativa?

Hibisco Roxo é o primeiro livro Nigeriano que leio, ele abrange tantos assuntos, que é até difícil de resenhar de forma objetiva.

Nos deparamos com uma realidade bem forte e realista da Nigéria. Aos olhos de Kambili, conhecemos um pouco da cultura e conflitos desta nação. Kambili é a nossa narradora, uma jovem de 15 anos que vive juntamente com sua mãe e irmão uma tirania religiosa empregada pelo seu pai.
Seu pai é um extremista católico que pune radicalmente sua família e ao mesmo tempo um benfeitor do seu povo, conhecido como “Um grande homem”, o que traz uma ambiguidade inteligente ao personagem.
A visão geral do livro contrapõe a tirania deste pai com a tirania que está ocorrendo no país.
Mas minuciosamente observamos algo além de todo esse conflito religioso, o amadurecimento de Kambili e Jaja (seu irmão), a construção de identidade de ambos, a luta pessoal por uma independência de pensamentos.  E dentro de todo este contexto, podemos acompanhar a trajetória psicológica da mãe desses jovens, que é brutalmente reprimida, que sua voz não passa de sussurros quase imperceptíveis,
O enredo está muito bem estruturado em 4 partes, que têm o mesmo nível de importância. Sendo que no primeiro a autora já expôs o clímax da história, nos deixando bem atentos a explicação de tudo. “Domingo de Ramos – Quebrando Deuses” “Antes de Domingo de Ramos – Falando com nossos espíritos” “Após o Domingo de Ramos – Os pedaços de Deuses” “Um silêncio diferente – O Presente”

Uma leitura primordial, abrangendo um tema delicado de forma muito inteligente e significativa.

 

 

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